Os cientistas americanos desenvolveram uma memória que funciona até 700 °C — adequada para Vênus, reatores nucleares e inteligência artificial
Novo tipo de memória capaz de operar a 700 °C – descoberta da USC
Cientistas da Universidade do Sul da Califórnia (USC) criaram um memristor que pode funcionar em temperaturas extremas de até 700 °C – quase 500 °C acima do que os componentes eletrônicos comuns toleram. A eletrônica tradicional já falha a 200 °C, enquanto este elemento manteve sua funcionalidade mesmo na temperatura de fusão da lava.
Como funciona
- Construção – “sanduíche” de três camadas:
1. Tungstênio (eletródo superior)
2. Óxido de gálio (camada cerâmica)
3. Grafeno (camada inferior)
- Papel chave do grafeno – sua camada atômica homogênea protege o tungstênio da aderência à cerâmica, evitando curtos-circuitos e degradação do dispositivo. Isso pode ser comparado ao efeito hidrofóbico: “a água não adere ao óleo”.
Testes e características
Indicador | Valor
--- | ---
Temperatura de teste | até 700 °C (verificado no limite do equipamento)
Tempo de retenção de dados sem atualização | > 50 horas
Número de ciclos de comutação | mais de 1 bilhão
Tensão operacional | 1,5 V
Velocidade de operação | dezenas de nanosegundos
Esses dados são confirmados por microscopia eletrônica, espectroscopia e modelos quânticos.
Por que isso importa
- Aplicações: Vênus (onde a temperatura excede 400 °C), instalações geotérmicas, reatores nucleares, eletrônica automotiva – todas as áreas onde os componentes comuns não resistem.
- IA e computação matricial: O memristor pode realizar multiplicação direta de matrizes pela lei de Ohm, economizando energia e acelerando cálculos em comparação com processadores tradicionais.
Futuro
Embora um “computador” completo a altas temperaturas ainda não esteja disponível (são necessárias lógica e outros elementos), ter uma memória confiável já resolve uma tarefa chave. Os cientistas fundaram a startup TetraMem, que planeja integrar memristores em chips de IA para operação à temperatura ambiente, ampliando as capacidades de computação matricial.
Assim, a descoberta da USC abre novos horizontes para sistemas de alta temperatura e torna possíveis tecnologias que antes eram consideradas impossíveis.
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