Acionistas ajuizaram ação contra a Intel por transferir dez por cento das ações da empresa ao governo dos EUA sob pressão de Trump
Negociação da Intel com o governo dos EUA: quem e por que está contestando
O CEO da Intel, Lip‑Bu Tan, expressou preocupações ao presidente Donald Trump no início de 2024, mas após um encontro pessoal as autoridades americanas conseguiram que o Estado obtivesse quase dez por cento das ações da empresa. Agora parte dos investidores minoritários está contestando a transação.
Quem entrou com a ação e qual é a razão?
O acionista minoritário Richard Paisner entrou com uma ação pedindo a anulação do acordo firmado entre a Intel e o governo dos EUA. Em sua petição, ele afirma que a administração da empresa foi “intimidada” pelas autoridades americanas antes de assinar o contrato e vendeu ações no valor de quase 11 bilhões de dólares sem fundamentos sólidos – apenas sob a ameaça de “ataques por parte de Donald Trump”. Paisner acredita que a transação resultou na perda do controle sobre os interesses dos acionistas.
Contexto
Antes de encontrar-se com Trump, Lip‑Bu Tan passou algumas horas cercado por consultores que o ajudavam a se preparar para o processo de negociação. No momento da conclusão do acordo, a Intel já havia recebido 2,2 bilhões de dólares do governo; os restantes 8,9 bilhões foram prometidos como parte dos subsídios da “Lei Chips”. Em troca da transferência de 10% das ações, as autoridades comprometeram-se a pagar esses valores no futuro.
Partes e acusações
Paisner aponta que a decisão da administração foi motivada apenas pelo desejo de preservar o emprego de Tan, e não pelos interesses dos investidores. O escritório de advocacia Skadden, que simultaneamente representou a Intel e o Departamento de Comércio dos EUA na formalização do acordo, também foi alvo de críticas por violar os direitos dos acionistas (embora oficialmente não seja ré).
Na ação são acusados:
- O Departamento de Comércio dos EUA e seu diretor Howard Lutnick;
- O ex-presidente do conselho da Intel, Frank Yiri.
Assim, a disputa em torno do negócio reflete o conflito entre os interesses dos programas governamentais de desenvolvimento tecnológico e a proteção dos direitos dos acionistas minoritários em uma grande empresa de tecnologia.
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