Os cientistas reuniram “pistas” sobre os misteriosos sinais de rádio vindos dos cantos distantes do cosmos, aproximando-se de sua decodificação
Novo “Pedra de Roseta” – a chave para desvendar os transientes radio‑longoperiodais
O que são LPT e por que são enigmáticos
- Transientes radio‑longoperiodais (LPT) são picos raros no rádio, ocorrendo com períodos de dezenas a centenas de minutos.
- A primeira mensagem sobre tal fenômeno data de quatro anos atrás; nesse período foram encontrados cerca de 12 fontes.
- Em cada uma delas as observações eram diferentes: faixas distintas, telescópios distintos – por isso foi quase impossível agrupá‑las em uma única classificação.
Como o novo objeto mudou a visão
- Em um estudo recente (Nature Astronomy) astrônomos descobriram ASKAP J1745−5051 usando o radiotelescópio australiano ASKAP.
- Ele emite picos brilhantes a cada 81 minutos no rádio, e uma periodicidade semelhante foi observada também no espectro X‑rays (dados do Swift e Einstein Probe).
- Imagens ópticas (SOAR, Magellan) mostraram que a fonte não é um objeto único, mas um par estreito: anã branca + anã vermelha.
Como funciona o sistema
1. A anã vermelha transfere material para a anã branca.
2. O gás caído aquece até milhões de graus e emite raios X.
3. A interação dos campos magnéticos das duas estrelas com o gás carregado provavelmente gera picos radio‑direcionados.
Por que chamaram de “Pedra de Roseta”
- Assim como a Pedra de Roseta unia três línguas num monumento, ASKAP J1745−5051 reúne simultaneamente vários traços chave:
- Picos radio
- Emissão X‑ray
- Sistema binário
- Anã branca
- Acréscimo
- Atividade magnética
- É o primeiro objeto em que todos esses elementos coexistem ao mesmo tempo.
O que isso significa para a ciência
- Embora nem todo LPT esteja agora explicado, a presença da “Pedra de Roseta” fornece um exemplo padrão: parte dos transientes radio‑longoperiodais pode ocorrer exatamente em binários magnéticos com anã branca.
- A busca por conjuntos semelhantes de sinais em outras fontes torna‑se mais direcionada, acelerando a compreensão da natureza desses sinais enigmáticos.
Assim, o novo objeto não apenas amplia o espectro dos LPT conhecidos, mas também abre caminho para uma teoria unificada sobre sua origem.
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