As explosões de anãs brancas canibais foram heterogêneas, o que ao longo dos anos distorceu a percepção da energia escura
Notícia em palavras próprias
Cientistas da Universidade de Barcelona (UB) apresentaram um novo sistema de IA chamado CIGaRS (“Combined Inference and Galaxy‑Related Standardisation”), que aumenta a precisão das medições de distâncias até supernovas do tipo Ia e, consequentemente, melhora a estimativa da taxa de expansão do universo. Os resultados foram publicados na revista *Nature Astronomy*.
O que faz o CIGaRS?
- Integra dados sobre supernovas e suas galáxias progenitor em um modelo autoconsistente único.
- Trabalha com fluxos de observações provenientes do Observatório Vera C. Rubin (LSST).
- Em vez de medições espectroscópicas tradicionais, utiliza imagens fotométricas e redes neurais para análise.
Assim, o sistema determina mais precisamente:
1. A idade das estrelas que explodem como supernovas Ia.
2. A metalicidade (concentração de elementos pesados) dessas estrelas.
3. A distância até os objetos, o que afeta diretamente as medições da expansão do universo.
Por que isso é importante?
- Supernovas Ia são consideradas “velas padrão” devido à quase idêntica massa crítica de anãs brancas na qual ocorre a explosão termonuclear. Isso permite usar sua luminosidade como medida de distância.
- Em 1998, observações de supernovas levaram ao descobrimento da expansão acelerada do universo e ao surgimento do conceito de “energia escura”, que representa cerca de 68 % do orçamento energético dele.
- No entanto, nos últimos anos ficou claro que a luminosidade das supernovas depende ligeiramente do ambiente galáctico: explosões em grandes/velhas galáxias diferem das que ocorrem em jovens.
O CIGaRS resolve esse problema modelando simultaneamente todos os fatores-chave (propriedades das galáxias progenitor, efeito da poeira interestelar, taxa de explosões, etc.) ao invés de correções sequenciais. Isso aumenta a precisão das medições de distância para dezenas de milhares de supernovas em uma única passagem.
Como isso se relaciona com observações futuras?
O Observatório Vera C. Rubin realizará o Legacy Survey of Space and Time (LSST) – um levantamento decenal do céu, fotografando a região disponível a cada poucas noites com um telescópio refletor de grande campo de visão. O sistema CIGaRS será especialmente útil para processar o enorme volume de dados fotométricos do LSST e será uma ferramenta chave na refinamento dos parâmetros da expansão do universo.
Citações-chave
> “Uma maneira poderosa de modelar o universo é simular-no em um computador”, diz Raul Jiménez.
> “Isso permite variar todos os parâmetros simultaneamente para prever em que tipo de universo vivemos… O impacto desses sistemáticos em nossa conclusão pode ser, talvez, o ingrediente mais importante faltante nas abordagens atuais de modelagem do universo.”
Assim, a nova plataforma de IA CIGaRS abre caminho para medições cosmológicas mais precisas e ajuda a compreender melhor a natureza da energia escura.
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